O FUTURO É AGORA: AS FAZENDAS URBANAS

maio
17
Por Jeison Mello
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Estima-se que a população mundial era de 1 bilhão de habitantes em 1800, 2 bilhões em 1925, 3 bilhões em 1961 e 6 bilhões de habitantes em 1999.

Há uma  perspectiva de diminuição nas taxas de fertilidade, entretanto, nosso planeta ganha aproximadamente 83 milhões de habitantes por ano e atualmente somos 7,6 bilhões de pessoas. Projeta-se 8,6 bilhões em 2030, 9,8 bilhões em 2050 e 11,2 bilhões de habitantes em 2100. (1)

 

 

A pergunta é: como vamos alimentar toda essa gente?

Infelizmente milhões de pessoas  passam fome em todo o mundo, em todos os lugares. Como vimos no gráfico acima a tendência da população é crescer, e com isso cresce também o número de pessoas sem acesso a comida.

 

AS FAZENDAS URBANAS

Felizmente novas tecnologias também nascem a cada dia, e elas estão mudando esta equação e já é possível produzir alimentos em lugares inimagináveis até pouco tempo.

Assim, as pessoas podem cultivar alimentos em lugares onde antes era difícil, ou mesmo impossível, com pouco espaço inclusive, e em quantidades semelhantes aquelas fazendas enormes.

Estou falando das  fazendas urbanas. Elas podem ser tão simples quanto as pequenas hortas comunitárias, cada dia mais comuns nas grande cidades, mas também podem ser tão complexas como plantações em curva de nível em locais de difícil acesso .

 

As fazendas urbanas podem ser de de várias maneiras, mas a maioria delas contém fileiras de prateleiras forradas com plantas enraizadas no solo, com sistema de água enriquecida com nutrientes, ou simplesmente ar. Cada camada é equipada com iluminação UV para imitar os efeitos do sol.

Entretanto, ao contrário do clima imprevisível da agricultura tradicional ao ar livre, o crescimento dentro de barracões por exemplo permite aos agricultores adaptar as condições para formar um ambiente ideal e assim é possível  maximizar o crescimento e a produção.

 

 

AGRICULTURA VERTICAL

Os agricultores verticais precisam de algum espaço e acesso à eletricidade e pronto.  

Como o metro quadrado de grandes cidades significa escassez e preço elevado, o agricultor vertical  precisa olhar para essas instalações em metros cúbicos em vez de metros quadrados.

 

O interesante é que pode-se produzir mais do que frutas e legumes em fazendas urmanas. A  Urban Organics cultiva três variedades de couve, duas variedades de acelga, salsa italiana e coentro, mas usa a mesma água para criar o salmão do Ártico e o salmão do Atlântico. Isso através de mecanismo  de circuito fechado geralmente chamado de aquaponia.

Os resíduos de peixe fertilizam as plantas, que limpam e filtram a água antes de voltar para os plantadores e o excesso escorre para os tanques de peixe. Genial!

 

Conforme as pessoas se mudam para as cidades, os centros urbanos “incham”  para acomodá-las. Muitas vezes isso significa ocupar antigas terras agrícolas para sustentar mais pessoas.

Entretanto montar uma fazenda urbana não é uma tarefa fácil. Encontrar espaço suficiente para um preço acessível pode representar um obstáculo significativo aos potenciais agricultores.

Os agricultores verticais também precisam saber como operar mais tecnologia, incluindo sistemas que controlam elementos como contaminantes do solo e disponibilidade de água, que a natureza cuida em uma fazenda tradicional.

 

DESENVOLVIMENTO DE NOVOS MERCADOS, ECONOMIA E RENDA 

 

Nos Estados Unidos por exemplo, algumas empresas ajudam os produtores urbanos a colocarem suas instalações em funcionamento. Como exemplo, a Agritecture Consulting,  empresa sediada no Brooklyn, ajuda pessoas e organizações que querem fazer uma fazendas verticais com pesquisas de mercado e análises econômicas, e também projetam os planos agrícolas. Como se fosse nosso Sebrae, aqui no Brasil.

 

Tanto a agricultura vertical como  a agricultura urbana, representam um benefício significativo para o desenvolvimento de novos setores uma vez que podem alimentar os moradores e estimular a economia local.

Entretanto, é importante saber que a agricultura urbana não pode ser considerada uma solução acabar com a fome, ou ajudar pessoas a acessarem alimentos nutritivos suficientes.

De acordo com Dr. Paul Gauthier, especialista em agricultura urbana da Universidade de Princeton, há muitas culturas importantes que simplesmente não podem ser cultivadas dentro de casa, pelo menos não ainda.

“Nós provavelmente nunca cultivamos soja, trigo ou milho em ambientes fechados”, disse ele. “A agricultura vertical não é a solução para resolver a fome em todo o mundo. Não é a solução, mas certamente faz parte da solução. ”

Certamente não veremos um planeta de super cidades onde toda agricultura é feita em prédios altos. Por outro lado as fazendas urbanas proporcionarão uma maior produção exigindo menor área de plantio.  

 

Mas vale lembrar que transportar alimentos por grandes distâncias representa uma das principais causas das perdas pós-colheita, sem contar no aumento da pegada de carbono do agronegócio por consequência da queima de combustíveis fósseis.

 

COMO ESTAMOS NO BRASIL?

Aqui no Brasil nao temos muitos exemplos de agricultura vertical ou urbana, mas se comparados os formatos e produtividade não demorará muito para termos notícias de  agricultura vertical aqui no país. 

O pesquisador da EMBRAPA, Italo Guedes,  afirma que em modelos como a agricultura vertical é possível obter o dobro ou até o triplo de desempenho na produção em comparação à agricultura tradicional.

Uma iniciativa que achei muito interessante foi a do Shopping Eldorado, em São Paulo, veja só:

 

Eu tenho uma horta lá em casa. Não dá para comparar com as fazendas urbanas, mas rende bons temperos e legumes.

 

 

Se você quiser saber como eu fiz minha horta, clique aqui. 

 

Nosso mundo está longe de ser perfeito, mas eu acredito que cada vez mais a tecnologia nos ajudará a resolver problemas que, até pouco tempo, pareciam sem solução.

Nós da Oliplanet sabemos que cada um pode fazer a sua parte, e não precisa obrigatoriamente inventar algo ou inovar. Cada um pode ajudar com atitudes diárias simples como reciclar, reutilizar, repensar os hábitos.

E você, conhece algum assunto que pode tornar nosso mundo melhor? Conta pra gente.